• Glaucius Nascimento

Ingurgitamento Mamário


ORIENTAÇÕES SOBRE INGURGITAMENTO MAMÁRIO O ingurgitamento mamário é o excesso de leite nas mamas, comum na fase de apojadura. Pode estar presente em decorrência de amamentação inadequada (início tardio, intervalo longos entre as mamadas, restrição do tempo de sucção), sucção incorreta, uso de sutiã inadequado, obstrução de ductos, malformações mamilares, interrupção da amamentação e o cuidado inadequado das mamas na fase puerperal.

Consequências: • Dor e edema; • Dificuldade da criança em realizar uma apreensão adequada; • Traumas mamilares e mastite; • Preocupação e estresse materno.

Intervenções: • Identificar a causa do ingurgitamento; • Proceder massagem delicada na mama, com movimentos circulares, especialmente nas regiões endurecidas e dolorosas, no sentido de tornar o leite mais fluido; • Retirar o leite da mama até o ponto de conforto (ausência de dor); • Realizar ordenha antes de iniciar a amamentação para obter a flexibilidade areolar; • Estimular posições variadas de amamentação como invertida, a fim de auxiliar a retirada de leite dos pontos dolorosos; • Oferecer à mãe apoio emocional e promover medidas de relaxamento; • Orientar uso de um sutiã firme e bem ajustado ao tamanho da mama; • Evitar o uso de conchas; • Não usar calor local* excessivo; e • Não suspender a amamentação, pois pode agravar o quadro de ingurgitamento.

Fonte: FEBRASGO – Manual de Aleitamento Materno 2015

O ingurgitamento mamário é consequência da retenção de leite e distensão alveolar, levando à compressão dos ductos e obstrução do fluxo de leite, acompanhados de edema, decorrente da congestão vascular e linfática (Giugliani, 2004; Nascimento et al., 2015). É mais comum em primíparas na primeira semana após o parto, mas pode ocorrer posteriormente. O ingurgitamento pode se restringir à região areolar ou afetar completamente uma ou ambas as mamas. O mamilo tende a se retrair e o leite sai com dificuldade. A criança não consegue pegar adequadamente.

Entre as causas mais frequentes do ingurgitamento, destacamos esvaziamento incompleto das mamas, início tardio da amamentação, mamadas com horários rígidos quanto ao intervalo e/ou duração, sucção incorreta, obstrução de ductos lactíferos, malformação mamilar e prematuridade.

As mamas ingurgitadas provocam preocupação, ansiedade e estresse na nutriz, em função da dor e do desconforto locais, dificuldade para o bebê fazer a pega adequada, interrupção da lactopoese e traumatismo mamilar, que será porta de entrada para futura mastite. Nessas situações, a mãe necessita de apoio emocional e adoção de medidas de relaxamento. Em geral, o ingurgitamento é eliminado por meio de massagens suaves com movimentos circulares, especialmente nas áreas mais enrijecidas e dolorosas, para tornar o leite mais fluido, o que deve ser repetido antes de cada mamada para maior flexibilidade da aréola. O leite será extraído preferencialmente por técnica manual até se obter o conforto.

Recomenda-se o estímulo à posição invertida de amamentar para auxiliar a saída do leite das áreas mais dolorosas. Analgésicos comuns podem ser necessários. É fundamental o uso de sutiã firmemente ajustado ao tamanho das mamas de modo a mantê-las horizontalizadas. Não se recomenda uso de conchas, nem calor local. A amamentação não deve ser interrompida, pois isso pode acentuar o ingurgitamento. Ao contrário, amamentar de forma irrestrita, com livre demanda de horário é o que proporciona os melhores resultados, superiores aos obtidos com o uso da ocitocina (Renfrew et al., 2000).

Fonte: Rezende – Obstetrícia 13a. edição

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Dr. Glaucius Nascimento

Ginecologista e Obstetra

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