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Artéria Umbilical Única

Recentemente, tive que dar o diagnóstico de Artéria Umbilical única em uma paciente que realiza acompanhamento comigo. Em geral qualquer alteração no exame é valorizada e a grande verdade é que isto traz uma preocupação para a gestante (e seu esposo). Toda vez que tenho uma variação do normal, sempre que possível estudo, atualizo minhas informações e passo para a minha paciente.
No mesmo dia da consulta ela foi orientada que artéria umbilical única isolada não traz problema para o feto, de qualquer forma, faremos o acompanhamento de rotina, mas com um cuidado ainda maior.
Abaixo explico o caso normal de cordão umbilical com duas artérias e uma veia, como também o caso da artéria umbilical única. Também peguei as três referências bibliográficas que considero importante sobre o assunto.

Normalmente o cordão umbilical apresenta duas artérias umbilicais e uma veia umbilical identificadas com relativa facilidade durante as ultrassonografias, especialmente, na ultrassonografia morfológica do segundo trimestre.


Na figura acima identificamos as duas artérias umbilicais (vermelho) e a veia umbilical (azul) através da aquisição ultrassonográfica do cordão umbilical longitudina com a técnica do Doppler Colorido.


Outra maneira de identificarmos os vasos do cordão umbilical é através da aquisição transversa, identificando o "Sinal do Mickey Mouse" correspondendo a veia umbilical ao rosto do Mickey Mouse, enquanto as artérias umbilicais correspodem às orelhas do Mickey Mouse.



As artérias umbilicais também são facilmente identificadas através da aquisição da entrada dos vasos umbilicais na aquisição transversa da bexiga, com a técnica do Doppler colorido.


Neste caso acima, através da aquisição longitudinal do cordão umbilical com a técnica do Coppler colorido, identificam-se apenas 2 vasos, 1 artéria e 1 veia umbilical. É o que se denomina: Artéria Umbilical Única (AUU).

Outra aquisição longitudinal do cordão umbilical com a técnica do Coppler colorido, identificando-se apenas 2 vasos, 1 artéria e 1 veia umbilical.

Apenas 1 artéria umbilical é identificada através da aquisição da entrada dos vasos umbilicais na aquisição transversa da bexiga, com a técnica do Doppler colorido, confirmando o diagnóstico de Artéria Umbilical Única.

O "Sinal do Mickey Mouse" não é observado na AUU.

Numa aquisição de maior aumento, mais uma vez o "Sinal do Mickey Mouse" não é observado na AUU.

Mais uma aquisição transversa em que o "Sinal do Mickey Mouse" não é observado.


"Sinal do Mickey Mouse" não é observado na aquisição transversa utilizando a técnica do Doppler colorido.


De acordo com a Fetal Medicine Foundation, a AUU tem prevalência de 1 em 100 gestações.

O Diagnóstico Ultrassonográfico é realizado pela visualização de apenas 1 artéria umbilical ao redor da bexiga fetal.


Anormalidades associadas à AUU:

  • Anomalias cromossômicas, principalmente trissomia 18, 13 e triploidia, são vistas em 5% dos casos.

  • Restrição de crescimento fetal (< percentil 5) ocorre em 10% dos casos. Morte fetal intrauterina, em geral associada a restrição de crescimento, é 2 vezes mais comum do que na população geral.

  • Anormalidades afetando sistemas cardiovascular, esquelético, gastrointestinal, geniturinário e nervoso central, são vistas em 20% dos casos.

Diante do diagnóstico de AUU, deve-se realizar Ultrassonografia detalhada na procura (ouo exclusão) de malformações associadas e Cariótipo fetal está indicado apenas nos casos não isolados, ou seja, com outra malformação associada.


O acompanhamento dos casos de AUU é realizado pela ultrassonografia seriada com 28,32 e 36 semanas para avaliar crescimento e bem-estar fetal.


A assistência obstétrica e parto são de rotina, não muda a via de parto.


O prognóstico nos casos isolados de AUU, o prognóstico é normal.


A recorrência de AUU quando isolada, não há risco aumentado. Como parte de trissomias, tem um risco de recorrência de 1%.


Fonte: https://fetalmedicine.org/education/fetal-abnormalities/placenta-umbilical-cord/single-umbilical-artery?lang=pt


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A anomalia mais comum, presente em 0,2–1% das gestações, é o cordão umbilical contendo apenas 2 vasos: 1 artéria e 1 veia, conhecida como ARTÉRIA UMBILICAL ÚNICA (AUU). Normalmente, o vaso arterial esquerdo está ausente .


AUU pode ser uma anomalia de desenvolvimento isolada; entretanto, em aproximadamente 30% dos casos, é acompanhada por outros distúrbios estruturais e, em aproximadamente 10% dos casos, por anormalidades genéticas.

A detecção em exames pré-natais de uma única artéria umbilical deve, portanto, levar a uma avaliação ultrassonográfica detalhada de todos os órgãos e sistemas. A AUU está principalmente associado ao comprometimento dos sistemas musculoesquelético, cardiovascular e urogenital e, menos frequentemente, aos sistemas gastrointestinal e nervoso central.


A AUU aumenta o risco de restrição o crescimento intrauterino (RCIU) fetal. As observações de fetos em gestações múltiplas indicaram um menor peso ao nascer na maioria dos fetos com AUU.


Em 20-30% dos casos, o AUU é favorável ao desenvolvimento de RCIU.


No pré-natal, o curso intra-abdominal das artérias umbilicais, que circundam a bexiga de ambos os lados, podem ser visualizados já no primeiro trimestre de gravidez usando a técnica de Doppler colorido.


É necessário seguir todo o trajeto intra-abdominal das artérias, do umbigo para cima, para evitar confusão com as artérias femorais, o que pode ser extremamente importante no início da gravidez.


A detecção de AUU no primeiro trimestre exige a confirmação do diagnóstico em uma fase posterior da gravidez.


Em seguida, o número de veias do cordão umbilical pode ser determinado no corte transversal de uma alça livre, a uma distância adequada da inserção da placenta; no corte transversal, a aparência é de “Mickey Mouse”.



Fonte: DOI https://doi.org/10.12659/msm.913762

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Artéria Umbilical Única


A artéria Umbilical Única (AUU) é a anomalia congênita verdadeira mais comum presente em humanos. As causas da AUU incluem agenesia primária de uma artéria umbilical, atrofia trombótica posterior de uma artéria umbilical ou persistência da artéria alantóide única original da haste do corpo.


A degeneração de uma artéria ocorre ocasionalmente no final da gravidez; entretanto, quando ocorre em um ponto de tempo anterior durante a gestação, o lúmen arterial gradualmente desaparece, e apenas um minúsculo remanescente muscular permanece quando o exame histológico é realizado.


Quase um em cada 100 fetos nascidos vivos é diagnosticado com AUU. Nos casos de AUU, anomalias fetais e outras anomalias placentárias foram encontradas em 44,7% e 16,4% dos indivíduos, respectivamente.


Por outro lado, 84,6% das gestações com diagnóstico ultrassonográfico de AUS eram bebês normais, enquanto 15,4% apresentavam outras malformações e / ou anomalias cromossômicas.


Observou-se que placentas de gestação precoce com AUU (tipo agenesia) estão associadas a muitas anormalidades cromossômicas.


No entanto, em casos de AUU, este parece ser um achado isolado (AUU isolado), e os fetos afetados normalmente não apresentam um risco aumentado de aneuploidia.


Diagnóstico ultrassonográfico


A AUU é determinada ultrassonograficamente a partir de uma aquisição transversal do cordão umbilical ou exame Doppler colorido das artérias umbilicais ao redor da bexiga fetal no plano transverso.


Embora não seja possível distinguir o tipo de agenesia de AUU do tipo obstrutivo de AUU durante um único exame de ultrassom, os exames de ultrassom longitudinal podem ser capazes de indicar se um tipo obstrutivo de AUU está presente.


Se duas artérias umbilicais forem visualizadas no exame de ultrassom do primeiro trimestre, mas AUU for detectada mais tarde na gravidez, então essa AUU é considerada obstrutiva.


Acompanhamento


Embora os resultados da meta-análise não tenham sido estatisticamente significativos, apesar da suspeita de viés de publicação, considera-se que mesmo os fetos com um AUU aparentemente isolado têm potencialmente um risco aumentado de comprometimento do crescimento fetal e mortalidade perinatal. Em minha experiência, a frequência de cesarianas de emergência realizadas por causa de um estado fetal não tranquilizador foi de 57% em casos de atrofia patologicamente trombótica de AUU (tipo obstrutivo de AUU); além disso, não houve tais casos no tipo de agenesia de AUU.


Quando o tipo obstrutivo de AUU é encontrado na longitudinal exames de ultrassom, é importante determinar o risco aumentado de um estado fetal não tranquilizador.



Aquisições ultrassonográficas identificando a artéria umbilical única.


Histologia da Artéria umbilical única. Notar dois vasos maiores, a veia umbilical e a artéria umbilical. E um pequeno vaso sem fluxo, correpondendo à artéria umbilical remanescente, não funcionante.



Fonte: DOI https://doi.org/10.1016/j.placenta.2017.12.003

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